Alberto João Jardim apoiou Gouveia e Melo... mas agora admite não votar
Apesar de já ter apoiado publicamente a candidatura de Henrique Gouveia e Melo à Presidência da República, o antigo presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim admite não votar na primeira volta das eleições presidenciais.
Na origem da decisão, está o facto de o almirante, à semelhança de outros candidatos a Belém, não apoiar a revisão constitucional.
Ora, na ótica do antigo líder do PSD/Madeira, "não se faz mudanças sem rever a Constituição", quer sejam elas na Justiça, Saúde ou outras áreas.
"Primeiro, tem de se rever a Constituição para então se pôr o país a funcionar. Nem o Chega quer que se faça revisão constitucional porque no dia em que se fizer revisão constitucional, acaba-se o circo do Chega", afirmou, na noite de segunda-feira, num espaço de comentário político na RTP Madeira.
"Nenhum dos candidatos fala em revisão constitucional, todos dizem que não é preciso", atirou. "Eu estava entusiasmado com o almirante, é uma figura para Belém que não está submetida aos jogos dos partidos, mas o problema não são os partidos, o problema é quem hoje controla os partidos."
"O ridículo deste país são pessoas que se dizem contra o capitalismo selvagem, [mas] não querem a revisão da Constituição, sabendo que são os grandes grupos financeiros que hoje dominam os grandes partidos portugueses, porque eles precisam de financiamento", acrescentou o antigo governante.
Alberto João Jardim reconhece que foi um dos subscritores da candidatura de Henrique Gouveia e Melo, "mas depois" viu-o nos debates televisivos a dizer "que não é preciso rever a Constituição". Nesse sentido, acusou todos os candidatos à Presidência na República de serem "situacionistas".
"Eu não vou votar nas pessoas que, ao recusarem a revisão constitucional, deixam a Madeira prejudicada", garantiu. "A Madeira nunca mais pode sair desta autonomia tutelada enquanto não houver revisão constitucional. E dizer-se que se é contra a revisão constitucional ou que não se faz revisão constitucional é claramente ir contra os interesses da Madeira."
Alberto João Jardim, que liderou o executivo social-democrata madeirense entre 1978 e 2015, diz mesmo que só tem visto os vários candidatos a Belém "dizer asneiras" nos debates televisivos e garante: "Não vou contra a minha consciência nem vou contra os interesses da Madeira."
Por esse motivo, "se isto continuar assim", admite ficar em casa no dia 18 de janeiro.
"Na segunda volta, aí de certeza que vou votar - aí são só dois -, tenho de ver qual é aquele que é menos mau para o país", admitiu.
O apoio "contra o monopólio dos partidos" e a promessa de aprofundar as autonomias
Em julho, quando anunciou o apoio ao almirante Gouveia e Melo, Jardim afirmou estar do lado de "uma pessoa que está fora de um sistema que vem cansando os portugueses" e disse mesmo que "quem disser que não está cansando é hipócrita, basta falar com as pessoas dia a dia na rua".
"Sou contra a partidocracia, sou contra o monopólio dos partidos no controlo do poder legislativo e no poder das candidaturas à Assembleia Legislativa", afirmou na altura.
Jardim considerou que "um militar não está, por estatuto, misturado com os partidos", salientando que "um militar é, por essência, também sociedade civil".
Apesar de ter reconhecido ser amigo do candidato apoiado pelo PSD ao nível nacional, Luís Marques Mendes, Alberto João Jardim considerou que não vai ganhar.
"Há uns meses atrás tive o cuidado de dizer que tenho pena que o Marques Mendes seja candidato, porque eu não gostaria de vê-lo perder umas eleições", disse.
Por seu lado, na ocasião, Henrique Gouveia e Melo destacou a importância do apoio de Alberto João Jardim, considerando o seu "passado histórico" e o "contributo que deu para a autonomia, para a região e para a política portuguesa".
"É um apoio individual, como eu sempre desejo, e estou muito contente por ter o apoio dele", declarou. O candidato a Presidente da República prometeu também que, caso for eleito, fará tudo para manter e aprofundar as autonomias "no que for possível".
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