50 anos do 25 de Novembro, a data que divide. O que se diz hoje

Novembro 25, 2025 - 11:00
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50 anos do 25 de Novembro, a data que divide. O que se diz hoje

A Assembleia da República assinala esta terça-feira os 50 anos do 25 de Novembro com uma sessão solene idêntica à realizada em 2024 para comemorar o cinquentenário do 25 de Abril - e que será precedida por uma parada militar em Lisboa.

 

Apesar de já ter passado meio século deste dia, o mesmo continua a gerar muita controvérsia e a dividir visões.

Ainda agora, na sequência das comemorações, ouviu-se as mais diversas opiniões, fruto das convicções partidárias ou ideológicas de cada um.

O PCP já fez saber que não marcará presença nesta sessão por considerar que se trata de uma deturpação histórica que visa menorizar o 25 de Abril.

Já o PS recusou integrar a comissão criada pelo Governo para estas comemorações, por considerar que oculta "o papel central" de Mário Soares e tem como propósito "criar uma narrativa de confrontação e polarização", e optou por organizar o seu próprio programa comemorativo.

Em geral, a Esquerda acusa a Direita de querer equiparar o incomparável e de querer desvalorizar a Revolução dos Cravos. E a Direita parece procurar uma data para celebrar uma vitória que não teve, uma ideia defendida pelo escritor Filipe Garcia, no livro "Breve História do 25 de Novembro" e apoiada por Vasco Lourenço,  um dos Capitães de Abril e rosto do chamado Grupo dos Nove — os vencedores de então, em novembro de 1975, numa entrevista publicada hoje pela Renascença.

"Palhaçada". Nuno Melo "deve ter feito promessa ao tio"

Para o coronel de 83 anos, "equiparar o 25 de Novembro ao 25 de Abril é uma injúria ao 25 de Abril", o 25 de Abril é, aliás o vencedor do 25 de Novembro, saiu "reforçado".

Porém, há quem queira passar outra imagem. Vasco Lourenço critica o ministro da Defesa e líder do CDS-PP pela organização das comemorações do 25 de Novembro. "Deve ter feito uma promessa ao tio e quer à força comemorar", atira na mesma entrevista, numa referência à ligação familiar de Nuno Melo ao malogrado cónego Melo.

Para o coronel as comemorações de hoje são "uma fantochada, uma palhaçada": "O 25 de Novembro, a única característica que tem de diferente é ser a última. Eles [Direita] não comemoram o 28 de setembro, não comemoram o 11 de março, porque são tentativas onde a Direita é derrotada e querem comemorar o 25 de Novembro porque, teoricamente, é só a Esquerda que é derrotada. Portanto, isto é uma palhaçada para mim, não justifica nada", refere.

Perante as críticas que lhe têm sido feitas (não só vindas de Vasco Lourenço) Nuno Melo já veio dizer que as comemorações dos 50 anos do 25 de Novembro serão realizadas sem ideologia, com base na factualidade histórica, servindo para unir a família militar e a sociedade portuguesa.

Comemorações do 25 Novembro.

Comemorações do 25 Novembro. "O que se pretende é unir a família militar"

O ministro da Defesa afirmou hoje que as comemorações dos 50 anos do 25 de Novembro serão realizadas sem ideologia, com base na factualidade histórica, servindo para unir a família militar e a sociedade portuguesa.  Lusa | 17:45 - 24/11/2025  

25 de Abril "data maior", mas 25 de Novembro "também foi importante"

Entretanto, também vários candidatos às eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026, falaram sobre o tema.

Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS, defendeu que se pode e deve comemorar o 25 de Novembro, mas sem reescrever a história ou pôr em causa que a "data maior" foi o 25 de Abril de 1974.

Para o candidato a Belém, a data hoje assinalada "também foi importante, devolveu a pureza aos ideais de abril, pôs moderação onde havia radicalismo, evitou que o país saísse de uma ditadura de direita e caísse numa ditadura de extrema-esquerda".

Por sua vez, a candidata presidencial Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE), defendeu que não se deve falsificar a história, alegando que foi o 25 de Abril de 1974 que mudou tudo e não o 25 de Novembro.

"É bom não falsificar a história e o 25 de Abril, esse sim é que mudou tudo. É por isso que é o 25 de Abril que celebramos", afirmou.

"O Presidente da República deve estar presente, não só por dever institucional, mas também porque tem a última palavra. E é bom usar essa última palavra para lembrar que a democracia nasceu do 25 de Abril, que derrubou a ditadura", sustentou.

"É bom não falsificar a história e o 25 de Abril, esse sim mudou tudo"

A candidata presidencial Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, defendeu hoje que não se deve falsificar a história, alegando que foi o 25 de Abril de 1974 que mudou tudo e não o 25 de Novembro. Lusa | 16:18 - 24/11/2025

Por sua vez, o almirante Henrique Gouveia e Melo frisou que tanto o 25 de Abril como o 25 de Novembro "têm o seu valor", pelo que tentar comparar a importância das datas "é uma discussão inútil".

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