2025, o ano de dois Papas e promessa do mesmo Pontificado

Dezembro 13, 2025 - 12:00
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2025, o ano de dois Papas e promessa do mesmo Pontificado

A partir de fevereiro, a doença prolongada e o internamento hospitalar de Francisco (88 anos) centrou em Roma os olhares do mundo, não apenas dos católicos.

 

A sua morte, em 21 de abril, criou ansiedade sobre o futuro da Igreja, depois de vários discursos públicos de abertura e após ter iniciado um processo de auscultação das bases para decidir que caminhos seguir, denominado Caminho Sinodal.

Na sua escolha defrontaram-se as fações mais progressistas - que defendem maior rapidez em matérias como o acolhimento aos 'gays' ou divorciados, o casamento de sacerdotes ou ordenação de mulheres -- e os mais conservadores -- que contestam a abertura já feita e pedem o regresso aos valores tradicionais.

Mas a solução escolhida foi a que garantia maior continuidade, pelo menos no papel, sem compromisso entre nenhuma das partes.

De um Papa, que se apresentou como um "homem do fim do mundo", arcebispo de Buenos Aires transformado em "pároco em Roma", passou-se para um Papa missionário, nascido nos EUA que se tornou cidadão peruano e que desde 2023 liderava o poderoso Dicastério para os Bispos, que geria a relação do Vaticano com as várias dioceses e era confrontado com a diversidade da Igreja Católica no mundo.

Robert Francis Prevost foi eleito em 08 de maio e adotou o nome de Leão XIV, uma homenagem a Leão XIII, promotor da modernização da Igreja Católica e da doutrina social da Igreja, no final do século XIX.

Leão XIV aponta como desafios da Igreja a desumanização pela Inteligência Artificial, a defesa dos imigrantes e os abusos do capitalismo, mantendo a política externa do Vaticano no mesmo tom.

A guerra da Ucrânia tem sido objeto de preocupação por parte de Leão XIV, com sucessivos apelos à paz e ao diálogo entre as partes, a par de outros conflitos no mundo, como Gaza ou o Líbano, país que visitou recentemente.

O Papa norte-americano tem sido um dos mais vocais na defesa dos imigrantes e na denúncia das políticas migratórias no seu país de origem, o que motivou já críticas da administração de Donald Trump e de setores mais conservadores nos EUA, entre os quais o vice-presidente, JD Vance.  

Quanto às mudanças na própria Igreja reivindicadas pelos progressistas, Leão XIV tem estado mais em silêncio, com os analistas a referirem que em 2026 serão já conhecidos os primeiros resultados do processo de auscultação das dioceses e conferências episcopais, para depois haver uma decisão final.

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