Ser Simpático Vale a Pena? Como Evitar os Riscos da Simpatia no Trabalho

Você reflete sobre como reage quando alguém não gosta de você. Embora diga que não se importa, na verdade isso o afeta. Quando percebe que alguém pode não gostar de você, tenta racionalizar e considerar que isso é problema da outra pessoa. Porém, se essa mesma pessoa mostra simpatia, você sente prazer e acolhimento. Essa reflexão o levou a perceber que tem uma forte necessidade de ser querido e visto como agradável, algo que influencia seu comportamento profissional e cotidiano.

Novembro 29, 2025 - 11:23
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Ser Simpático Vale a Pena? Como Evitar os Riscos da Simpatia no Trabalho
Moosala

Como ficamos presos na busca por simpatia: 

É claro que todos desejamos algum tipo de aprovação das pessoas ao nosso redor, especialmente no ambiente de trabalho, onde isso também pode ser financeiramente vantajoso. Em vez de evitar qualquer tipo de demonstração de simpatia, vamos detalhar exemplos de boas práticas e práticas potencialmente prejudiciais relacionadas à busca por simpatia.

Como ser "bom" e agradável:

  • Demonstre que você é um bom ouvinte praticando a escuta ativa. 
  • Ser gentil e cortês com todos, até mesmo com completos estranhos. 
  • Utilizar linguagem corporal positiva (acenar com a cabeça, manter contato visual, manter os braços descruzados, postura aberta, aperto de mão firme) 
  • Demonstrar gratidão e entusiasmo quando alguém te ajuda.
  • Elogiar e reconhecer o mérito desde o início e com frequência.
  • Aprender o nome dos novos colegas e oferecer acolhimento nos primeiros dias. 
  • Construir um bom relacionamento com os colegas, aprendendo sobre seus hobbies e quaisquer interesses em comum que vocês possam compartilhar, é fundamental.

Quando a simpatia sai do controle: 

  • Rejeitar elogios e atribuir crédito indevido a outros. 
  • Conectar-se com outras pessoas através de fofocas ou outros comportamentos tóxicos.
  • Fazer bajulação inautêntica
  • Fazer constantemente "favores" para os outros enquanto você fica para trás no seu próprio trabalho. 
  • Permitir que outros façam "piadas" ou outras microagressões que te deixem desconfortável ou te façam sentir ameaçado(a). 
  • Permanecer em silêncio enquanto outra pessoa se sente atacada ou maltratada.
  • Há uma grande diferença entre ser gentil de forma geral e ficar obcecado com a percepção que os outros têm de você. 

Ser simpático não é um problema, mas sim as expectativas diferentes de simpatia impostas a homens e mulheres no trabalho. Pesquisas mostram que, embora homens e mulheres tenham níveis semelhantes de confiança e competência, as mulheres mencionam mais a simpatia em entrevistas porque isso é esperado delas.

Entretanto, simpatia e sucesso nem sempre caminham juntos para as mulheres. Estudos de universidades como NYU e Princeton mostram que mulheres sofrem penalidades sociais quando seguem caminhos tradicionais de liderança, enfrentando o chamado Dilema da Cachinhos Dourados: se forem gentis demais, são vistas como fracas; se forem firmes, são rotuladas de agressivas.

Esse dilema aparece em feedbacks vagos e enviesados, como “não tem perfil de liderança”, “muito emotiva” ou “não seria levada a sério”. E quando tentam ajustar o comportamento, recebem críticas opostas, como “teimosa”, “fria” ou “mandona”.

sobre como a simpatia pode ultrapassar limites saudáveis. Gestos gentis, como segurar a porta ou tratar bem as pessoas, não são o problema. O verdadeiro risco surge quando a simpatia leva alguém a se prejudicar para agradar os outros, comprometendo seu trabalho, seus limites e suas próprias convicções.

A autora reconhece que, ao ser excessivamente agradável ou complacente  como pedir desculpas o tempo todo — acaba minando sua autoridade e prejudicando a si mesma. Em resumo, a simpatia exagerada pode se transformar em um comportamento que diminui a autoconfiança e cria desvantagens profissionais.

como a necessidade de agradar pode se tornar prejudicial. Durante uma ida à Ikea, a autora tentou tanto agradar o parceiro na escolha de uma mesa de centro que acabou atrapalhando a decisão, comportamento que ela chama de “planicing”  quando a busca por agradar a todos impede a tomada de decisões simples e causa retrocessos. Isso revela um padrão: dizer “sim” com facilidade, ignorar limites e abrir mão das próprias vontades.

O texto também aborda o “duplo vínculo” vivido por mulheres no ambiente de trabalho, segundo a Catalyst: elas são vistas como simpáticas ou competentes, raramente ambas. Traços considerados “femininos” levam à percepção de gentileza porém pouca competência; já comportamentos assertivos geram respeito profissional, mas diminuem a simpatia atribuída.

A escritora Chimamanda Ngozi Adichie reforça que, em momentos cruciais, é necessário abandonar a busca por simpatia para preservar autenticidade, visão e responsabilidade profissional. O ponto central é: quando ser agradável começa a atrapalhar seus objetivos, é hora de soltar essa necessidade.

O conselho final é seguir com gentileza, justiça e honestidade  mas sem sacrificar sua voz nem seu crescimento e, ao alcançar sucesso, ajudar outras mulheres que também enfrentam rótulos como “autoritária demais”.

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