Ser Simpático Vale a Pena? Como Evitar os Riscos da Simpatia no Trabalho
Você reflete sobre como reage quando alguém não gosta de você. Embora diga que não se importa, na verdade isso o afeta. Quando percebe que alguém pode não gostar de você, tenta racionalizar e considerar que isso é problema da outra pessoa. Porém, se essa mesma pessoa mostra simpatia, você sente prazer e acolhimento. Essa reflexão o levou a perceber que tem uma forte necessidade de ser querido e visto como agradável, algo que influencia seu comportamento profissional e cotidiano.
Como ficamos presos na busca por simpatia:
Como ser "bom" e agradável:
- Demonstre que você é um bom ouvinte praticando a escuta ativa.
- Ser gentil e cortês com todos, até mesmo com completos estranhos.
- Utilizar linguagem corporal positiva (acenar com a cabeça, manter contato visual, manter os braços descruzados, postura aberta, aperto de mão firme)
- Demonstrar gratidão e entusiasmo quando alguém te ajuda.
- Elogiar e reconhecer o mérito desde o início e com frequência.
- Aprender o nome dos novos colegas e oferecer acolhimento nos primeiros dias.
- Construir um bom relacionamento com os colegas, aprendendo sobre seus hobbies e quaisquer interesses em comum que vocês possam compartilhar, é fundamental.
Quando a simpatia sai do controle:
- Rejeitar elogios e atribuir crédito indevido a outros.
- Conectar-se com outras pessoas através de fofocas ou outros comportamentos tóxicos.
- Fazer bajulação inautêntica
- Fazer constantemente "favores" para os outros enquanto você fica para trás no seu próprio trabalho.
- Permitir que outros façam "piadas" ou outras microagressões que te deixem desconfortável ou te façam sentir ameaçado(a).
- Permanecer em silêncio enquanto outra pessoa se sente atacada ou maltratada.
- Há uma grande diferença entre ser gentil de forma geral e ficar obcecado com a percepção que os outros têm de você.
Ser simpático não é um problema, mas sim as expectativas diferentes de simpatia impostas a homens e mulheres no trabalho. Pesquisas mostram que, embora homens e mulheres tenham níveis semelhantes de confiança e competência, as mulheres mencionam mais a simpatia em entrevistas porque isso é esperado delas.
Entretanto, simpatia e sucesso nem sempre caminham juntos para as mulheres. Estudos de universidades como NYU e Princeton mostram que mulheres sofrem penalidades sociais quando seguem caminhos tradicionais de liderança, enfrentando o chamado Dilema da Cachinhos Dourados: se forem gentis demais, são vistas como fracas; se forem firmes, são rotuladas de agressivas.
Esse dilema aparece em feedbacks vagos e enviesados, como “não tem perfil de liderança”, “muito emotiva” ou “não seria levada a sério”. E quando tentam ajustar o comportamento, recebem críticas opostas, como “teimosa”, “fria” ou “mandona”.
sobre como a simpatia pode ultrapassar limites saudáveis. Gestos gentis, como segurar a porta ou tratar bem as pessoas, não são o problema. O verdadeiro risco surge quando a simpatia leva alguém a se prejudicar para agradar os outros, comprometendo seu trabalho, seus limites e suas próprias convicções.
A autora reconhece que, ao ser excessivamente agradável ou complacente como pedir desculpas o tempo todo — acaba minando sua autoridade e prejudicando a si mesma. Em resumo, a simpatia exagerada pode se transformar em um comportamento que diminui a autoconfiança e cria desvantagens profissionais.
como a necessidade de agradar pode se tornar prejudicial. Durante uma ida à Ikea, a autora tentou tanto agradar o parceiro na escolha de uma mesa de centro que acabou atrapalhando a decisão, comportamento que ela chama de “planicing” quando a busca por agradar a todos impede a tomada de decisões simples e causa retrocessos. Isso revela um padrão: dizer “sim” com facilidade, ignorar limites e abrir mão das próprias vontades.
O texto também aborda o “duplo vínculo” vivido por mulheres no ambiente de trabalho, segundo a Catalyst: elas são vistas como simpáticas ou competentes, raramente ambas. Traços considerados “femininos” levam à percepção de gentileza porém pouca competência; já comportamentos assertivos geram respeito profissional, mas diminuem a simpatia atribuída.
A escritora Chimamanda Ngozi Adichie reforça que, em momentos cruciais, é necessário abandonar a busca por simpatia para preservar autenticidade, visão e responsabilidade profissional. O ponto central é: quando ser agradável começa a atrapalhar seus objetivos, é hora de soltar essa necessidade.
O conselho final é seguir com gentileza, justiça e honestidade mas sem sacrificar sua voz nem seu crescimento e, ao alcançar sucesso, ajudar outras mulheres que também enfrentam rótulos como “autoritária demais”.
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