A entrevista, recente, do vice-presidente do Banco Europeu de Investimentos (BEI), Ambroise Fayolle, ao Jornal de Angola, reforça que o interesse internacional no projecto não se limita à logística ou ao transporte de minérios. Há uma expectativa clara de impacto social real, sobretudo nas províncias do interior.
A modernização e operação da linha férrea pelo consórcio Lobito Atlantic Railway trouxeram uma nova dinâmica laboral, desde técnicos ferroviários, operadores logísticos e mecânicos, até profissionais de portos, manutenção, segurança, saúde e serviços. As estimativas oficiais do próprio Corredor indicam que as fases de expansão do projecto podem criar milhares de empregos directos e indirectos, principalmente em Benguela, Huambo, Bié e Moxico. Essas regiões, historicamente afastadas dos grandes centros de decisão económica, passam a integrar uma cadeia de valor regional que liga o interior ao litoral.
O BEI, ao analisar potenciais investimentos associados ao Corredor, destaca justamente esse efeito multiplicador. Infra-estruturas que geram oportunidades para pequenas e médias empresas, estimulam o transporte comercial, permitem maior circulação de bens agrícolas e ampliam o acesso de jovens a empregos formais. A criação de novos postos de trabalho em sectores como agro-indústria, manutenção ferroviária, armazenamento e logística de carga significa mais rendimento nas comunidades e maior atractividade para investimentos complementares.
O impacto social não se resume ao emprego imediato. O Corredor pode mudar o mapa económico de Angola ao aproximar zonas produtivas dos mercados consumidores e dos portos. Cooperativas agrícolas passam a ter mais condições de escoar produtos, prestadores de serviços ganham clientes e comerciantes beneficiam da redução do custo de transporte. Com isso, a economia local deixa de depender apenas do comércio informal e das oportunidades esporádicas que chegam por via de programas públicos.
A oportunidade agora é garantir que esse desenvolvimento alcance as populações de forma equilibrada. É importante que os investimentos tragam formação profissional, inclusão de jovens e mulheres, transparência na contratação e respeito pelas comunidades ao longo da linha. Se esse compromisso for mantido, o Corredor do Lobito pode tornar-se um dos maiores motores de mobilidade social da última década.
O interesse do BEI, revelado na entrevista, é um sinal positivo. Instituições internacionais só apostam onde há potencial de impacto real. A tarefa de Angola é transformar esse potencial em progresso palpável, usando o Corredor não apenas como um trilho para mercadorias, mas como um caminho aberto para emprego, dignidade e novas oportunidades para quem vive e trabalha no interior do país.
Fonte- Jornal de Angola